Não chego aos pés dela

Deveria ter uma aliança para a mão e outra para seu pé.

Um desperdício de beleza não desposar seus pés também. Não andar de pés dados no Parque da Redenção, na Usina do Gasômetro.

Não é um pé simplesmente para a cama, mas é um pé de compromisso, feito para o altar.

Seu pé é perfeito, pequeno, os dedos simétricos, firmes, atraentes.

Não aquele pé que tem um dedão apontando para a rua enquanto os outros apontam para o mar.

Não aquele joanete imprevisível, neurótico, que confunde a direção do destino.

É um pé sem bicos de papagaio, que nunca morde, que jamais machuca. Um pé que não matará baratas, porque só serve para abrir espaço ao espanto dos pássaros. Os nervos conversam e se entendem, as veias estão tomando sol debaixo do guarda-sol da pele e nem aparecem.

O homem se apaixona pelas mãos, mas somente casa depois de ver os pés.

Os pés são a âncora do casamento. Os pés são o voto de minerva. Os pés são o último conselho.

Não precisa ser podólatra para isso. Não sou de chupar os dedos do pé, lamber, me perder entre as frestas. Nenhuma taradice, tenho apenas uma admiração enamorada, normal entre os homens.

Deixa explicar. Seu pé tem as unhas pintadas em fileira indiana, é um buquê, uma procissão organizada de rosas a Iemanjá. Nada fora do lugar, nada torto e truncado.

Um pé que cria vontade de se embalar na rede, de levantar as pernas no impulso do balanço. Um pé que é melhor do que um lençol de 800 fios. Macio, sestroso.

Considero, inclusive, um crime que minha mulher pague a diferença entre pedicure e manicure, o preço merecia ser único, de mãos.

Ela, na verdade, tem quatro mãos, vive no ar, flutuando, levitando. Anda pelos ares, pelos ventos de meus olhos.

Quando ele roça meu pé, a sensação é que me beija – me beija na boca.

Meu grande problema é que Katy trabalha de Havaianas numa loja carioca. Não suporto a dor de cotovelo.

Sofro toda vez que ela sai de casa. Todos podem enxergar sua exuberância – não é justo.

Meu amor é cristão. Meu ciúme é muçulmano.

Além da aliança, deveria existir véu para os pés.

Fabrício Carpinejar

Amizade

Amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito, debaixo de 7 chaves e por ai vai. Mas quando sua melhor amiga tem um pé lindo, como fica? Amizade é tudo e tem que ser respeitada, mas sua amiga dorme da sua casa, deita no seu sofá e quando ela tira o tênis o pé chega reluz de tão lindo e bem cuidado. O dilema toma conta da cabeça do ser que fica entre a amizade e uma cheiradinha na obra que se instalou em sua sala. Amizade acima de tudo, mas o tesão as vezes fala mais alto, mas se ela for realmente sua amiga ela entenderá, em nome da amizade de todos aqueles anos juntos. Troca de favores é uma boa, eu beijo seu pés e coloco aquele carinha na sua fita. Pensamentos que rondam a cabeça da pessoa diante de tal situação. Acho que a única atitude sensata à se fazer é sentar ao lado e fazer massagem nos lindos pezinhos como forma carinhosa de manter a amizade, pois você não mata completamente seu desejo, mas não deixa passar os lindos pés de sua amiga.

Dúvida!!!

Dúvida, uma palavra que denomina indefinição, falta de certeza para fazer uma escolha. No dicionário dúvida significa incerteza sobre a realidade de um fato ou verdade de uma asserção, hesitação, indecisão. Isso pode acontecer quando duas possibilidades muito distintas passam diante de suas mãos. Imagina uma mulher muito linda, mas com os pés feios. Ela se torna não tão atraente assim. Agora imagina uma mulher que não seja bonita, mas diante de seus olhos ela deflagra pés exuberantes, se torna mais bonita. Mas o que escolher caso essas duas mulheres surjam na sua frente, querendo algo com você? Apesar de podólatra adoro uma mulher bonita, mas pezinhos lindos são fundamentais. Enquanto isso vou conversando com as duas para saber quem se parece mais comigo, mas pelo que vejo vou acabar ficando sem nenhuma.

Relação entre mãos e pés

As podem dizer muitas coisas, mas não se precisa ser vidente ou cigana. Para o fetichista a extremo, que só consegue ficar afim de moças com pés bonitos, as mãos podem ser um belo indicador de como será os pés da sua futura conquista. Lógico que existe exceções, mas a partir de uma boa analisada, pode-se identificar se os dedos são longos, as unhas redondas ou quadradas e o mais importante, o cuidado com que essa pessoa tem com as unhas. As vezes, mesmo depois de toda essa analise, batendo com um linda mulher, quando o sapato é descartado e o doce deseja revelado, todas as decepções possíveis vem à tona. Já ouvi dizer que um amigo beijava e se esbaldava com o pés da namorada no escuro, pois ela tinha pé feio. Gostou dela, aprovou a mão, mas depois de um mês quando foram passar uma noite juntos e só ai ele pode ver os pés dela e não gostou, mas o coração dele já tinha sido fisgado. Por isso cuidado com essa comparação. Mas de qualquer maneira já é um parâmetro para não se dar um tiro no escuro.

Sem botas por favor

O Rio de Janeiro amanheceu parecendo São Paulo. Depois de dois dias de chuva, enchente e ventos fortes o frio se fez presente na cidade, conhecida por suas praias e pessoas utilizando o minimo de roupa possível. Só que uma coisa aconteceu hoje que eu sempre admirei nas mulheres cariocas e que mais uma vez foi confirmado. Independente da temperatura, as mulheres daqui saem de sandália e sapatos abertos, e uma coisa maravilhosa. Nesta mesma temperatura, na capital paulista, o que só é visto nos pés femininos são botas e coisas parecidas. Por essas coisa que eu amo o Rio, mas nada contra São Paulo. Para um dia fechado, não tem coisa melhor que olhar para o céu, ver o tempo nublado e repentinamente, mesmo com todo o frio, senta-se ao seu lado no ônibus um lindo pezinho em um chinelo rasteirinho. Esta moça, toda encasacada e de calça, expõe justamente a parte do corpo que eu acho mais exitante e deslumbrante. Quando em outro lugar do Brasil isso aconteceria. Mas ainda tem muita coisa coberta pelos tênis e sapatos. Por isso, peço aos céus que volte o calor de verão para que todos os lindos pezinhos cariocas voltem a povoar o meu dia e meus sonhos.